Mais uma reimpressão.
Mais uma gravura que nunca tinha sido impressa em um bom papel e com uma boa limpeza.

Mais uma gravura em metal, feita em água-forte, diretamente do meu ossário particular. Desta vez com as etapas ilustradas.
Para uma água-forte a primeira etapa é o envernizamento da placa, após os cuidados básicos de desengordurar e chanfrar.
O verniz é passado com pincel e depois com um fogareiro a placa é aquecida até que o verniz seque e endureça sobre a placa.
É sobre o verniz que passamos a ponta seca, retirando material, mas preferencialmente sem retirar cobre.

Após a retirada de verniz, terminado o desenho, a placa deve ter seu verso protegido com papel contact ou goma laca e mergulhada completamente em ácido.
No Atelier Piratininga usamos percloreto de ferro para gravar. O tempo de mergulho no ácido em geral é de 15 minutos.
Tempo suficiente para que o traço seja limpo e profundo.
Depois de gravado no ácido é preciso remover o verniz. A maneira mais eficiente é com querosene.
Sendo usado goma laca no verso da placa para proteger, a limpeza do verso é feita com álcool.

Com a placa limpa, passamos para a entintagem com o manchão, limpeza com tule e a palmo, e pronta para prensa.
E do outro lado da prensa, a estampa, espelho da gravação.
Em janeiro deste ano eu imprimi o nu #02. Essa primeira impressão teve alguns problemas.
Ela foi feita em papel 200g, de algodão, próprio para aquarela, que enrrugou mesmo após a secagem ser feita debaixo de peso. O chanfro ainda não era uma questão que tinha me preocupado, então a impressão ficou com as bordas sujas e marcadas.
Agora, aproximadamente 9 meses depois, eu reimprimi a mesma imagem, após um trato no chanfro, em papel próprio, 300g, cor creme, para gravura em metal.
Desta vez adicionou-se tinta vermelha ao preto feito para impressão, isso deu calor para imagem, que combina com o tema.
O processo de limpeza da placa também foi diferente, para tentar criar uma atmosfera não foi feita a limpeza a palmo, assim existe uma pequena aurea na linha da água-forte que “embaça” agradavelmente a imagem, idéia do Ulysses Bôscolo.
Como a imagem é maior que a entrada do scanner resolvi fotografar, mas não de forma direta. Aqui estão as duas estampas fotografadas quase da mesma maneira para comparação. A última (estado II) ainda está em processo de secagem.
Bom. A “Manuela” #01 é muito grande para digitalizar, então fotografei. Eu não acho que qualquer dessas maneiras faz juz a gravura impressa. A gravura merece ser vista ao vivo.
Mas eu tenho falado sobre a gravura sem apresentá-la, o que empobrece o material. Assim, aqui está a primeira “Manuela”, na sua última versão, após o breu sobre breu.
A segunda mão de breu aconteceu para criar as duas áreas grandes e escuras da gravura e a sombra que define o braço.
Durante a execução dessa segunda mão de água-tinta eu coloquei em prática a teoria do grão fino que citei no post “Minhas experiências com água-tinta” e fui feliz no resultado.
Após a suspensão do material na caixa de breu, houve uma demora de cerca de 3 minutos até colocar a placa lá dentro. Isso me deu um grão que gerou uma mancha mais igual na área mais escura da impressão.
Um dia depois, em um vídeo no youtube (que não tive o cuidado de guardar, por isso não tenho o link) vi a mesma teoria sendo colocada em prática. O vídeo dizia para placa ficar cerca de 5 minutos dentro da caixa, que eu achei tempo longo demais. Não costumo deixar mais do que 1 minuto para o pó assentar sobre a placa.
Nesse dia, também usei uma goma laca diferente, mais grossa, feita no próprio atelier, que respondeu melhor na placa, sem expandir demasiado.
As primeiras impressões da série “Manuela” #01 existia pouco contraste entre as manchas, o que limitava o impacto da obra, na minha opnião. Como se vê na figura abaixo.