Mais uma reimpressão.
Mais uma gravura que nunca tinha sido impressa em um bom papel e com uma boa limpeza.

Mais uma gravura em metal, feita em água-forte, diretamente do meu ossário particular. Desta vez com as etapas ilustradas.
Para uma água-forte a primeira etapa é o envernizamento da placa, após os cuidados básicos de desengordurar e chanfrar.
O verniz é passado com pincel e depois com um fogareiro a placa é aquecida até que o verniz seque e endureça sobre a placa.
É sobre o verniz que passamos a ponta seca, retirando material, mas preferencialmente sem retirar cobre.

Após a retirada de verniz, terminado o desenho, a placa deve ter seu verso protegido com papel contact ou goma laca e mergulhada completamente em ácido.
No Atelier Piratininga usamos percloreto de ferro para gravar. O tempo de mergulho no ácido em geral é de 15 minutos.
Tempo suficiente para que o traço seja limpo e profundo.
Depois de gravado no ácido é preciso remover o verniz. A maneira mais eficiente é com querosene.
Sendo usado goma laca no verso da placa para proteger, a limpeza do verso é feita com álcool.

Com a placa limpa, passamos para a entintagem com o manchão, limpeza com tule e a palmo, e pronta para prensa.
E do outro lado da prensa, a estampa, espelho da gravação.
Esta estampa é a minha primeira experiência em água-tinta na gravura em metal.
O processo de água-tinta foi sobreposto a água-forte que gravou o crânio na placa.
Água-tinta
Definição
Gênero da calcografia no qual o processo de produção das matrizes é químico, como o da água-forte, e se dá através da utilização de alguns líquidos corrosivos. A placa utilizada pelo gravador é pulverizada ou pintada com algum tipo de resina - damar, breu, copal, sandácara – ou por uma mistura de resina e outro componente – açúcar, sal, areia - e aquecida, de forma que a mistura se funda na placa, exercendo a mesma função protetora do verniz. Assim, quando a placa entra em contato com o ácido, os grãos de açúcar ou areia, por exemplo, produzem uma textura que é responsável pelo tom acinzentado da obra. Esse tipo de gravura oferece, como resultado, um desenho composto de áreas tonais e não linhas, como a gravação a entalhe. A técnica é usada por Thomas Gainsborough (1727 – 1788), Jean-Baptiste Le Prince (1734 – 1781), Paul Sandby (1725 – 1809) e também por Francisco de Goya (1746 – 1828), que combina água-forte e água-tinta, e retomada no século XX por Edgar Degas (1834 – 1917), Camille Pissarro (1830 – 1903), André Masson (1896 – 1987), Pablo Picasso (1881 – 1973), entre muitos outros.